Domingo, 29 de Agosto de 2010 04:13
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Pulando a Cerca - 29/08/2010
Walton   

O outro do outro

O trem par­tiu para a ci­da­de de Alfarroxos. Era uma manhã de do­min­go. Antônio sen­tou-se, como sem­pre, à ja­ne­la, mas no sen­ti­do in­ver­ti­do ao qual o trem an­da­va. Gostava assim e não se sen­tia en­joa­do. Na sua fren­te, sen­tou-se uma mu­lher linda. Mais tarde soube que o nome dela é Ângela, 23 anos, ca­sa­da, sem fi­lhos, e es­ta­va indo es­tu­dar na outra ci­da­de.
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Sábado, 21 de Agosto de 2010 13:53
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Pulando a cerca - 22/08/2010
  
Epitáfios

“Você vive o hoje. Eu já estou no amanhã, que te espera”. Essa frase bem que poderia ser um epitáfio, aquelas mensagens escritas em cima das lápides dos túmulos, geralmente com tom de despedida, saudade, mas algumas também com ironia. E são interessantes. Quem nunca se pegou entretido em um cemitério lendo e pensando sobre os epitáfios escritos nos túmulos? São interessantes, não?
Os epitáfios revelam muito mais do que mostram. Eles dizem também do modo de ser da pessoa que viveu aqui na Terra. A não ser que a família do defunto fizesse uma grande sacanagem de inscrever na lápide algo que não combinasse com o ente querido. Já imaginou um epitáfio como “Agora a terra vai me comer” na lápide de uma freira?
Em linhas gerais, pode-se considerar um epitáfio como a última voz da pessoa antes de virar defunto, ou uma homenagem póstuma dos familiares àquela criatura. Muitos já deixam seus epitáfios prontos antes de morrer. Outros nunca pensaram nisso. Deixam a cargo da criatividade e consideração da família.
Mas, em todo caso, normalmente são escritos epitáfios que combinem com o jeito de ser da criatura. Uma frase como aquela que é citada lá no começo desse texto cabe bem com um epitáfio de um humorista, um contador de piadas. Tem, ainda, gente que manda recados através do epitáfio. Um vez vi um que dizia: “Sabia que você viria”. Essa foi inteligente. Uma mensagem que se atualiza a cada pessoa que a lê. Será que era de um internauta?
E um nerd, aqueles ratos de computador cuja aparência, estereotipada ou não, é de um jovem com óculos de lentes grossas, roupas gastas e de cores apagadas, poderia colocar em seu epitáfio o seguinte texto: “0011000100100100...”, numa alusão ao código binário. Estranhice? Esquisitice? Um fato é certo: no epitáfio podemos ser quem verdadeiramente somos. Podemos mostrar alguma face que estava escondida enquanto estávamos entre os mortais.
Uma mulher casada, católica, família sólida e tudo, deixou com a irmã a ordem para escrever o seguinte na sua lápide: “Como esposa, fiz tudo o que queriam. Como mulher, aproveitei pouco, só com o açougueiro”. Nem preciso dizer que a irmã não teve coragem de colocar.
Mas uma outra foi mais inteligente. Fez o próprio marido prometer que colocaria no túmulo dela o seguinte epitáfio: “Faria tudo de novo”. Ele não botou porque morreu primeiro. Teve um ataque do coração quando flagrou a esposa na sua cama com outro homem. O que poderia ser escrito no túmulo desse coitado, hein? Caso tenham sugestões, sugiram no meu email: Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. . Quem sabe o seu epitáfio não vira uma instigante história?

Leusa Santos - Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.          Acesse o blog Contos e Contos: www.leusasantos.blogspot.com
 
Sábado, 14 de Agosto de 2010 16:17
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Pulando a cerca - 15/08/2010
  
Amante amigo

Kelly chegou mais cedo ao apartamento, localizado num charmoso flat num bairro nobre da cidade. A louça do dia anterior ainda estava suja. Quanto prazer Kelly tinha de limpar aquele cantinho romântico. E foi com essa alegria que jogou a bolsa de lado e pôs-se a arrumar o ninho de amor. José chegaria dentro de duas horas.
Ela lavou a louça, deu uma varrida básica, trocou os lençóis da cama e, por fim, deu uma ajeitada no banheiro antes de tomar uma gostosa chuveirada. Perfumou-se e colocou a langerie novinha em folha, tinha ganho de José de presente de aniversário.
Kelly  jamais pensaria em estar vivendo uma situação assim, tão inusitada. José, um homem barrigudo e careca, nunca teria sido seu sonho sexual, mas agora, conhecendo-o melhor, surpreendia-se com a tamanha satisfação que ele lhe proporcionava. Satisfação em todos os sentidos. Kelly sentia-se amada, admirada e cortejada por José, que também lhe enchia de mimos. Jóias, sapatos, roupas. Não que ela fosse interesseira, isso não! É que, para ela, isso tudo faz parte do amor.
Quando ela já estava no sofá, assistindo à TV, José chega. O barulhinho da chave abrindo a porta do apê encheu-a de alegria. Chegara seu amor, seu protetor! Sentia-se protegida com José. Os mimos de sempre no encontros dos amantes: beijinhos, presentinhos e muitos denguinhos. Coisa de romance de pouco tempo. Mas Kelly e José sentiam que realmente estavam vivendo uma coisa diferente, que nunca pensaram em viver. Parecia até que sempre foram feitos um para o outro.
Depois de conversarem bastante, foram para a cama, lugar preferido do casal. A noite, como sempre, foi maravilhosa. José não batia aquele bolão de garotão, afinal, já passava dos 60. Mas dava para o gasto e compensava com outras coisas. A sorte dele é que Kelly, no auge dos seus 35 anos, não é lá muito exigente para essas coisas de cama. Prefere curtir José fora dela.
No outro dia pela manhã, toca o celular de Kelly. Ela olhou e se irritou:
- É o meu marido! Ai, que saco!
- Atende, amor! Pode ser algum recado! E, depois, se ele está viajando, não tem perigo de voltar pra casa mais cedo. - Encorajou-a José.
Kelly atendeu emburrada. Não falou uma frase inteira. Apenas monossílabos de concordância: “humm, humm, tá”.
- O que ele queria? - perguntou José.
- Dizer que ia esticar a viagem por mais um dia porque estava visitando uns clientes com você!

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Pulando a cerca - 08/08/2010
  
Dedicatórias - Dedico este livro a você, meu amado esposo. Saiba que serei sempre sua, não importa a situação. Estou com você como prometi no altar, vinte anos atrás: na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Nunca duvide do meu amor por você. Tenha certeza do lugar que ocupas no meu coração. Este livro será seu companheiro quando não pudermos estar juntos por conta do seu trabalho.
Título do livro: 
A mulher do viajante.
Nunca tivemos discordâncias. Somos um casal exemplar, de dar inveja aos outros simples e pobres mortais. Nosso casamento é um orgulho para mim e deve ser para você também, presumo. Quando vi esse exemplar, não duvidei que fosse escrito para nós. Homenageio-te com ele. Boa leitura!
Título do livro: 
Homem de sucesso, mulher de sorte.
Oi amor! Sempre quis te ver nua com outro homem, mas respeito sua decisão. E não chamo de caretice, viu? Mas esse livro você tem que ler. É imperdível. Nunca vi algo tão parecido conosco. Espero que não fique chateada. Do seu mais devoto escravo do amor!
Título do livro: 
Mulher, prato principal.
Nunca fui de fazer elogios, mas quando li esse livro só me lembrei das suas qualidades. Adoro a sua calma, sua tranquilidade. No começo não compreendia, concordo, mas aprendi a gostar desse clima ameno. Espero que goste dessas páginas.
Título do livro: 
Quando a vida é morna.
Nunca pensei que fosse adorar tanto um presente como este que estou lhe dando. Gastei meu suado dinheirinho com algo para você, mas desta vez valeu a pena. E olhe que este livro vale tanto que eu pagaria o dobro do que a livraria pediu. Espero que você goste. Se não gostar, melhor ainda!
Título do livro: 
Como perder um marido.
Queridinha, não vou lhe chatear com minhas piadas sem graça. Quer dizer, sem graça para você. Mas tudo bem. Senso de humor não é para qualquer um, não é mesmo? Tô brincando. Na verdade, não poderia deixar que sua inteligência ficasse órfã. Por isso, dedico este livro a você. E olhe que foi caro. Geralmente livros inteligentes são caros mesmo! Um beijo, minha costelinha de Adão!
Título do livro:  Mulher: vida inteligente ao fogão.

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