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Joaquim Nunes Brandão, 43 anos, auxiliar administrativo de São Paulo (SP) - Como antigo eleitor e defensor de suas posições, gostaria de saber o que digo a meus amigos quando perguntam o que o sr. está fazendo para combater a corrupção.
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Dalliana Morais, 26 anos, engenheira mecânica de Belém/PA - O que está sendo feito para livrar a população do estado de guerra civil em que muitas cidades vivem hoje? Presidente Lula - Nós temos trabalhado como nunca para mudar esse quadro. Os investimentos para apoiar os estados em segurança passaram de R$ 951 milhões, em 2003, para R$ 2,7 bilhões, em 2009. A iniciativa mais promissora é o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania, com 90 ações repressivas e preventivas, que implanta os Territórios de Paz nas regiões mais carentes e com maior índice de homicídios. Com o nosso apoio, forças de seguranças dos estados, especialmente treinadas, entram nas comunidades e lá permanecem, enquanto desenvolvemos ações sociais permanentes e oferecemos cursos profissionalizantes. No Pará, já foi inaugurado o primeiro Território de Paz, em Belém, nos bairros do Guamá e Terra Firme. Os índices de violência estão caindo em todos os dez estados onde o programa já foi instalado. No bairro de Santo Amaro, em Recife, houve redução de 60% no número de homicídios. Esses dados são animadores, sobretudo porque a gente sabe que resultados nessa área não costumam aparecer do dia para a noite. Camila Delmondes Dias, 25 anos, estudante de Campinas (SP) - Há muitos trabalhadores que lutam pela estatização de fábricas que decretaram falência. É o caso dos trabalhadores da Flaskô, de Sumaré/SP. É possível essa conquista em nosso país? Presidente Lula - Há mais de uma centena de fábricas no Brasil que faliram e os trabalhadores assumiram o controle, boa parte organizando-se em cooperativas. Na maioria dos casos, os trabalhadores conseguem recuperar as empresas, com o apoio dos sindicatos, do Ministério do Trabalho e do BNDES. O caso da Flaskô é diferente pois os trabalhadores reivindicam a estatização, permanecendo com a velha empresa falida. Para mim, estatizar significa dividir com toda a sociedade os prejuízos da má gestão dos antigos proprietários. O governo vem sugerindo aos empregados que o melhor caminho é esquecer a parte falida da empresa e aproveitar a parte ainda saudável para criar uma nova, pertencente aos trabalhadores. Isso significa, além da manutenção de milhares de empregos, a transformação dos trabalhadores em associados de um empreendimento coletivo. Assim, com a nossa oferta de assistência técnica e de crédito, o caminho estará aberto para a completa recuperação da empresa. João Alves da Fonseca, 38 anos, administrador de empresas de Nova Friburgo (RJ) - O governo reduziu drasticamente a taxa básica de juros. Infelizmente, isso não chegou aos endividados. Há mecanismos que possam forçar os bancos a acompanhar essa redução? Presidente Lula - Em plena crise, nós promovemos uma grande redução da taxa básica, mas os grandes bancos não acompanharam porque se tornaram excessivamente cautelosos e reduziram seus empréstimos. Como vivemos numa economia de mercado, não podemos intervir diretamente. Mas tomamos medidas para reduzir os spreads (diferença entre o que os bancos pagam para captar e o que cobram para emprestar). Expandimos o crédito e reduzimos os juros dos bancos públicos - que têm mais operações de pequeno valor com maiores custos administrativos -, e, pela primeira vez em oito anos, o spread dessas instituições ficou menor do que os dos bancos privados. Para estimular a concorrência, apoiamos os bancos pequenos e médios por meio de garantias adicionais para investidores e liberação de recursos depositados no Banco Central. O BC, aliás, passou a permitir que as contas-salário possam ser depositadas no banco de preferência do empregado, que, agora, pode escolher a instituição com menores tarifas. O projeto de lei que tramita no Congresso, de criação do cadastro positivo, também poderá reduzir os spreads. O cadastro listará os nomes dos compradores que pagam em dia e que podem ser beneficiados por juros mais baixos.
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Lotário Wessling, 53 anos, caminhoneiro de Venâncio Aires (RS) - Por que no seu governo ainda não foi viabilizado o voto em trânsito, de qualquer parte do Brasil? Essa parcela de eleitores poderia contribuir para melhores escolhas.
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Paulo César Otero Marcelino, 56 anos, médico de Maringá (PR) - Por que temos que sofrer as consequências do horário de verão, como insônias e deficiência no aprendizado no último mês do ano letivo? Por que em Recife não existe esse tipo de horário? Presidente Lula - O horário de verão é importante porque reduz a demanda de energia no horário de pico, entre seis e nove da noite. Com a adoção do horário no período de maior luminosidade, entre outubro e fevereiro, o Brasil dispensa a construção de várias usinas térmicas, com potência instalada total de 2 mil MW e ao custo de R$ 1 bilhão, suficientes para abastecer uma cidade com 6 milhões de habitantes. Assim, esse recurso é aplicado em outras áreas, como saúde, educação e infraestrutura. Por que não adotamos a medida nas regiões Norte e Nordeste? Simplesmente porque, neste período do ano, a luminosidade natural nestas regiões é bem menor do que nos estados do Sul, Sudeste e Centro-oeste. Se adotássemos o horário de verão nos estados das regiões Norte e Nordeste, os ganhos seriam insignificantes e os transtornos, maiores. Decreto presidencial define que o Horário de Verão começa no terceiro domingo de outubro e termina no terceiro domingo de fevereiro.
José Zilmar Miranda, 42 anos, zelador de condomínio de São Paulo (SP) - Quando é que o governo vai implantar esportes nas escolas públicas, seguindo o exemplo de Cuba, já que teremos uma Olimpíada aqui no nosso Brasil e uma Copa do Mundo? Presidente Lula - Já acertei com o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Nuzman, de reunir as federações esportivas para que cada uma apresente um plano de metas. O exemplo de diversos países não pode ser ignorado. Mas nós não estamos parados. Com o programa Mais Educação, os alunos da rede pública participam de atividades, inclusive esportivas - tais como natação, basquetebol, volei, futebol, handebol e judô -, nos turnos em que não há aulas regulares. O programa atende 1,1 milhão de alunos de 5.126 escolas dos ensinos fundamental e médio, com repasse de R$ 166 milhões. Com o programa Segundo Tempo, já investimos R$ 260 milhões para envolver em atividades esportivas 975 mil crianças e adolescentes em situação de risco social. Em 2004, lançamos o Bolsa Atleta, que já contemplou 10.252 atletas de alto rendimento. Na Olimpíada de Pequim, nada menos do que 65% dos atletas eram de confederações que tinham patrocínio das empresas estatais ou de economia mista. Murilo Oliveira, 26 anos, publicitário de Amparo (SP) - Nos anos 90, o sr. dizia que se eleito acabaria com o monopólio da mídia. Por que o sr. ainda não cumpriu o prometido? Presidente Lula - Não há dúvida de que o monopólio da mídia não é bom para a democracia. Aliás, a Constituição é clara: “Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio.” Mas cabe ao Congresso regulamentar os mandamentos constitucionais. As próprias mudanças econômicas e sociais, no entanto, vêm provocando transformações na comunicação social no Brasil. Há cinco anos, os jornais tradicionais do eixo Rio-São Paulo estão estacionados em 900 mil exemplares, enquanto os jornais das demais capitais cresceram 41%, chegando a 1.630.883, os jornais do interior subiram 61,7% (552.380) e os populares cresceram nada menos que 121,4% (1.189.090). O panorama se repete com as emissoras de rádio e de TV. No Congresso, está tramitando o Projeto de Lei 29/2007, que normatiza e amplia a oferta de TV’s por assinatura, o que vai aumentar a concorrência e favorecer os assinantes. Esse fenômeno se deve às mudanças da sociedade, mas também às ações do governo, que vêm reduzindo as desigualdades regionais. O governo federal também tem promovido uma desconcentração das suas campanhas publicitárias. Até 2003, elas eram centradas em apenas 499 veículos e hoje alcançam 5.297 órgãos, um aumento de 961%.
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