O PMDB só pensa naquilo
Não há dúvida de que o PMDB, com 1.203 prefeitos eleitos é o partido com maior número de vitórias nessas eleições. Não há dúvida de que tal façanha nas urnas deixe de fato a sigla como a “mais cobiçada” na corrida pelo planalto em 2010. Mas há dúvida quando o assunto em questão é se o PMDB terá candidatura própria para a Presidência da República, promessa do presidente da sigla, Michel Temer. “O PMDB será protagonista. Com certeza participará de uma chapa na disputa em 2010”, promete Temer. Mas existe uma máxima política que diz “se hay gobierno soy contra” e na visão peemedebista esse pensamento é invertido para “se hay gobierno soy a favor”. É essa a vocação governista (fisiológica) e adesista que acompanha a trajetória histórica e política da legenda. Tudo bem que o fisiologismo não é exclusividade apenas dos peemedebistas, mas são eles quem mais transparecem esse mal em troca da manutenção do poder, independente de quem esteja sentado na cadeira da Presidência. Hoje, o PT de Lula e o PSDB de José Serra disputam e se apresentam como pretendentes para essa “noiva cobiçada” e interesseira. O PMDB não se entregará tão fácil para o PT, mesmo ocupando diversos cargos no governo Lula. O primeiro teste de um pré-contrato nupcial poderá vir no próximo ano com a eleição para as presidências da Câmara e do Senado. A partir daí, tudo poderá acontecer. É bem provável que, em 2010, o PMDB nem lance candidato à sucessão de Lula. Se isso de fato acontecer, a legenda seguirá a tradição partidária de apoiar o novo presidente eleito. Obviamente, para isso, pleiteará os cargos que achar necessários para continuar usufruindo daquilo que mais gosta: o poder.
Sonho - Embalado pelos números obtidos nas urnas para prefeito do Recife, onde obteve o quinto lugar, mas quase ultrapassando Cadoca (PSC), o psolista Edílson Silva tem os olhos voltados agora para a Assembléia. “Vou defender junto ao partido o meu nome para deputado estadual em 2010”, assegura Edílson. Porém, ele não descarta a hipótese de o P-SOL colocá-lo numa disputa para o Governo do Estado.
Pé-de-serra - De passagem pelo Recife, na última semana, a presidente do P-SOL, Heloísa Helena, deixou as suas idiossincrasias ideológicas de lado e caiu no forró, durante festa de confraternização do partido. Quem viu aprovou a performance da vereadora mais votada do País, em Maceió. A força da ex-senadora, porém, não deve ultrapassar as terras alagoanas em 2010.
Máquina - Para o cientista político Túlio Velho Barreto, o fato de 95% dos prefeitos se reelegerem nas capitais tem uma razão. Segundo ele, o uso da máquina administrativa, sendo intencional ou não, existe e teve um peso muito grande na contagem dos votos. Dos 20 gestores que lançaram candidatura, 19 conseguiram um novo mandato, sendo 13 no primeiro turno e seis no segundo.
Silêncio dramático - Ao ser perguntado se concordava que o prefeito João Paulo é hoje o maior líder do PT em Pernambuco, o secretário de Cidades, Humberto Costa, não discordou mas também não concordou com isso. Reconheceu a força de JP, mas disse que o partido também tem outros nomes. Não adianta. Humberto nunca irá jogar confetes no prefeito. Isso é coisa antiga.
BLOG da FOLHA - Por Valdecarlos Alves
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