Imprimir E-mail
Baco & Cia - 28/08/2010
  
ViniPortugal em Pernambuco - Portugal está vi­ven­do um pro­ces­so in­ten­so e ace­le­ra­do de re­no­va­ção na sua vi­ni­cul­tu­ra. Em todos os as­pec­tos. Abertura para as cas­tas de uva in­ter­na­cio­nais, en­quan­to pre­ser­va as suas tra­di­ções, novas fren­tes agrí­co­las e vi­ní­fe­ras - o tinto tran­qui­lo do Vale do Douro é um forte exem­plo - e a es­tru­tu­ra­ção das áreas de­mar­ca­das ex­pri­mem bem este pro­ces­so. Mas há tam­bém uma nova ma­nei­ra de olhar o mer­ca­do. De lá e do resto do mundo. Como re­sul­ta­do, um mar­can­te au­men­to das ex­por­ta­ções.
Foi esta nova fi­lo­so­fia que gerou o ViniPortugal, uma en­ti­da­de in­ter­pro­fis­sio­nal para a pro­mo­ção de vi­nhos por­tu­gue­ses, que or­ga­ni­za jan­ta­res har­mo­ni­za­dos em di­ver­sos lo­cais. Este ano ocor­reu em seis ca­pi­tais bra­si­lei­ras: Rio de Janeiro, Salvador, Curitiba, Florianó­polis, Belo Horizonte e Re­cife. Que abri­gou o even­to esta se­ma­na.
O local es­co­lhi­do foi o Wiella Bistrô. Tive a gran­de sa­tis­fa­ção de estar entre os con­vi­da­dos e des­fru­tar desta fa­bu­lo­sa noite eno­gas­tro­nô­mi­ca. Abrilhantada por uma di­dá­ti­ca ex­po­si­ção do Cris­tia­no Van Zeller, pro­prie­tá­rio da Quinta do Vale D. Ma­ria, no Douro. Empresa jo­vem, com menos de duas dé­ca­das de vida, pro­duz vi­nhos do Porto e vi­nhos tran­qui­los que já gozam de alto con­cei­to no mundo vi­ní­co­la. Mas, com elo­giá­vel pos­tu­ra ética, o Cristiano não falou ape­nas de sua vi­ní­co­la, dis­cor­ren­do sobre as múl­ti­plas fa­ce­tas da “ter­ri­nha”.
Degustamos ini­cial­men­te oito vi­nhos, três deles bran­cos. Dando bom tes­te­mu­nho da evo­lu­ção na in­dús­tria por­tu­gue­sa, que no pas­sa­do, com pon­tuais ex­ce­ções, não des­fru­ta­va de boa fama na pro­du­ção de bran­cos. Quanto aos tin­tos, todos de muito bom nível, re­for­ça­ram a im­pres­são de que os lu­si­ta­nos estão no ca­mi­nho certo. Destaque para o Niepoort Redoma (Douro), o Quinta da Chocapalha re­ser­va (Lisboa), o Van Zellers re­ser­va (Douro) e o Dúvida? (Alentejo). Não, não pen­sem que houve erro de di­gi­ta­ção. O ró­tu­lo do vinho es­tam­pa mesmo essa in­ter­ro­ga­ção. Como se pre­ci­sas­se re­for­çar o nome Dúvida! Bem, taí uma coisa que não evo­luiu: os nomes dos vi­nhos e das cas­tas por­tu­gue­sas con­ti­nuam exo­ti­ca­men­te hi­la­rian­tes. E os ami­gos lu­si­ta­nos que não se zan­guem, pois quem disse isso foi o pró­prio Cristiano. Depois veio o de­li­cio­so jan­tar, com pra­tos de peixe e de carne, har­mo­ni­za­dos com um es­pu­man­te, dois bran­cos e dois tin­tos, que tam­bém fi­ze­ram bo­ni­to. Qual meu pre­fe­ri­do? O Quinta do Vale D. Maria tinto. Tudo muito bem ar­re­ma­ta­do por um vinho de so­bre­me­sa, o Alambre 20 anos, do cé­le­bre José Maria da Fon­seca (Setúbal).
O jan­tar foi re­ga­do tam­bém por uma boa con­ver­sa, luso-per­nam­bu­ca­na. Além dos ami­gos Roberta e Claudio, es­ta­vam co­nos­co os por­tu­gue­ses João Santos, exe­cu­ti­vo da ViniBrasil, pro­du­to­ra do Rio Sol e Joaquim Coim­bra, pro­prie­tá­rio da Dão Sul, em­pre­sa con­tro­la­do­ra da pró­pria ViniBrasil e de ou­tras oito vi­ní­co­las em Portugal. Que nos deram boas no­tí­cias sobre a evo­lu­ção da vi­ní­co­la per­nam­bu­ca­na, so­bre­tu­do o su­ces­so do plan­tio de cas­tas por­tu­gue­sas, aqui no São Francisco. Mas esta é outra his­tó­ria, de outro ar­ti­go. Depois que eu ar­ru­mar um tem­pi­nho para aten­der o con­vi­te feito, for lá, olhar, de­gus­tar e, com os pro­du­tos lo­cais, fizer tim, tim. Brinde à vida!
EM Destaque
Avaliação Nacional de Vinhos 
Começou esta se­ma­na a ins­cri­ção para este já con­so­li­da­do even­to do vi­nho bra­si­lei­ro, que este ano acon­te­ce­rá no dia 25 de se­tem­bro, em Ben­to Gonçalves. A Associação Brasileira de Enologia es­pe­ra um pú­bli­co de 750 par­ti­ci­pan­tes, ba­sea­do na ex­pe­riên­cia dos anos an­te­rio­res.
Serão ava­lia­dos os vi­nhos na­cio­nais da safra 2010. Os in­te­res­sa­dos devem aces­sar o site www.eno­lo­gia.org.br.
Adega
Van Zellers Reserva Tinto
Preço:  R$ 55,90 Onde:  (11) 3507.7392
Talvez você o en­con­tre tam­bém na Casa dos Frios. Procure. Vale a pena.
É um vinho agra­dá­vel e ele­gan­te, pro­du­zi­do pela Quinta do Vale D. Maria, no Douro. Com uma boa re­la­ção qua­li­da­de-preço. O outro tinto que leva o nome da pró­pria Quinta é me­lhor, mas é tam­bém mais caro. Depende de sua von­ta­de de gas­tar.

Murilo Guimarães - e-mail: mu­ri­ Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.
 
Imprimir E-mail
Baco & Cia - 14/08/2010
  
Uma noite muito especial - Não, não sou daqueles que gostam de fazer inveja. Mas coisa boa a gente divulga. E tira ensinamentos. Por isso, vou contar para vocês a história de uma degustação de vinhos norte-americanos que aconteceu no restaurante Wiella, em julho passado.
Tudo começou um ano atrás, quando encontrei um colega e contemporâneo de faculdade, o nefrologista Diogo Belo. Ocasião para descobrirmos que nossas identidades iam além do plano profissional. Ambos éramos amantes do vinho. Com uma boa vantagem a favor de Diogo: ele mora em San Diego da Califórnia, onde clinica há cerca de três décadas. Por que vantagem? Ora, além de habitar no estado com uma das melhores qualidades de vida dos EEUU - um dia a gente pode chegar lá - ainda desfruta da vizinhança da mais conceituada região vinícola daquele país. Você certamente já sabe que na Califórnia ficam Napa e Sonoma Valleys, onde são produzidos os vinhos mais cultuados pelos ianques. Não só por eles, é bom que se diga. Lembra do “Julgamento de Paris”? Já contei essa história aqui, em março de 2008, mas vou relembrar. Em 1976, críticos ingleses de vinho e famosos enólogos franceses degustaram às cegas vinhos de primeira linha, da França e dos EEUU. Os primeiros lugares, tanto entre tintos como brancos, foram americanos, que tiveram também seis dos dez vinhos mais pontuados. Impacto forte até no mercado de cosméticos da França, pois alguns vinicultores arrancaram todo o cabelo!
Grande parte desse mérito pode ser creditado a um homem, descendente de italianos, que revolucionou a vinicultura e o marketing californianos: Robert Mondavi. E foi o top de linha desta vinícola, o Robert Mondavi Cabernet Sauvignon Reserve , da safra 2003, um dos oito vinhos selecionados por Diogo para nossa degustação. Que nós dois deixamos entabulada em 2009, com foco em vinhos de primeira linha, oriundos de vinícolas “boutique”. Não sabe o que é isso? É similar ao conceito butique de roupas, onde se vende coisas exclusivas, não massificadas, produzidas em pequena escala. Que para achar, dá muito mais trabalho. Mas pense em um enófilo meticuloso! Acima de tudo, amigo. Diogo garimpou cuidadosamente todas as garrafas, quer nas próprias vinícolas, quer nas mãos de colecionadores. Que, por sinal, existem em número cada vez maior por aquelas bandas.
Agora em julho, Diogo veio visitar sua família. E trouxe consigo todas as garrafas selecionadas. Convocamos outros cinco amigos, enófilos e apreciadores de vinhos norte-americanos e nos reunimos no Wiella. Primeiro degustamos os vinhos e depois nos deliciamos com a ótima comida da casa. Noite inesquecível. Tá bom, tá bom, prometi não fazer inveja. Então vou só descrever os vinhos. Sugerindo que você faça uma anotação, para procurá-los, no dia que visitar Napa Valley e cercanias. Todos estavam maravilhosos.
Além do Robert Mondavi, o Dominus  (2005) também pode ser encontrado, com algum esforço, no mercado brasileiro. O mesmo não podendo se dizer dos outros: Altagracia  2005 (da Araujo Estate Wines), Dalla Valle Cabernet Sauvignon  2001, Chateau Montelena Cabernet Sauvignon , de duas safras, 1996 e 1997, Silver Oak Cabernet Sauvignon  1997 e Groth  1984. Este último, a surpresa mais agradável da noite. A despeito dos 26 anos de armazenamento, foi eleito o melhor, pela maioria dos degustadores. Mostrando que alguns vinhos de alta estirpe, fora do continente europeu, podem envelhecer muito bem, aprimorando suas qualidades. Será que o Brasil chega lá? Quando isso acontecer, aí sim, eu vou fazer inveja. Aos gringos! Tim, tim. Brinde à vida!
EM Destaque
Carta de vinhos do Mirage 
Tem nada a ver com aquele famoso avião supersônico, que já foi aposentado. Aliás, com o preço exorbitante da sua passagem, ele devia ter um menu de vinhos de alto gabarito.
Estou me referindo ao ótimo restaurante do Hotel Atlante, na Praia de Boa Viagem. Semana passada houve o lançamento da carta de vinhos do Mirage, inteiramente reformulada. Para melhor. Além de uma seleção adequada, privilegiando distintos níveis qualitativos, dos mais importantes países produtores, a política de preços é excelente. Não tenho dúvida que é a carta com a melhor relação custo-benefício do Recife. Bom exemplo a ser seguido por alguns concorrentes. E como Lula gosta de se hospedar ali, melhor para todos nós. A conta para o povo brasileiro vai ficar mais barata.
Adega
Este vinho, da safra 1984, apesar de sua idade (26 anos de amadurecimento em tonéis e garrafa), foi o mais comemorado na degustação que descrevi no texto ao lado.
Elaborado com cerca de 80% de Cabernet Sauvignon (por isso considerado varietal), cortado com Merlot, com teor alcoólico de 12,8% e envelhecido em barris de carvalho francês, tal qual os vinhos da margem esquerda de Bordeaux, é um vinho “cult” da Califórnia.
A vinícola foi fundada em 1981, quando o contador Dennis Groth, ex-diretor financeiro da Atari (se lembra desse videogame?), adquiriu uns vinhedos em Nappa Valley. Se for para a Califórnia, compre-o.

Murilo Guimarães - e-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.
 
Imprimir E-mail
Baco & Cia - 31/07/2010
  
Sabores de Baco 3ª prova: vinhos TINTOS sul-africanos - Claro que a Copa do Mundo de Futebol estava por trás da escolha do tema desta nova prova-degustação. Só que a gente sonhava em publicá-la com a taça na mão. Em agosto de 2006, após nosso fracasso na Copa da Alemanha, escrevi sobre a esperança do hexa em 2010. “E felizmente foi-se Parreira. Ave Dunga! Boa sorte”, dizia eu naquele artigo. Mas não deu não. De novo. Bem, a despeito disso, nosso grupo de degustadores teve muito prazer em provar os vinhos da África do Sul, que nos enviaram o Club du Vin, a Grand Cru e a Lacomex.
Das três provas, esta teve a disputa mais apertada, a mais nivelada. Por cima, é bom que se diga. Isso não surpreendeu, visto que a África do Sul, apesar de considerada nova no mundo vinícola, tem grande tradição. E muita respeitabilidade no mercado internacional. Além de exercer preços bem razoáveis.
A decisão de restringir a degustação aos tintos foi tomada em face do histórico das duas provas anteriores: vinhos brancos (Chardonnay e Sauvignon Blanc) e espumantes sul-americanos. Estava na hora dos tintos. Só isso. Nunca por desmerecimento dos brancos daquele país, que são muito bons e até mais clássicos que os tintos.
A África do Sul produz vinhos em várias regiões, mas a qualidade é encontrada no sudoeste, particularmente no entorno da cidade do Cabo. Que já foi da tormenta e hoje é dos bons vinhos. Na cabeceira, dois grandes distritos: Stellenbosch e Paarl. As castas tintas mais usadas são a Cabernet Sauvignon e a Pinotage. Esta última, fruto do cruzamento da Pinot Noir com a Hermitage (na França, mais conhecida como Cinsaut). Mas outras uvas ganham terreno por ali, sobretudo Merlot, Pinot Noir e Shiraz.
Desta vez o restaurante que sediou o evento foi o ótimo Tapioca, onde fomos recebidos com fidalguia por Duca Lapenda e sua equipe. Depois da degustação formal dos vinhos - como sempre inteiramente às cegas - fomos premiados com outra degustação: pratos do cardápio da casa, onde destaco o saboroso arroz de cabidela. Tudo sem reparo. Quer dizer... Desta feita o grupo de degustadores foi reduzido a quatro enófilos, devido a outros compromissos que afastaram três colegas. Mas se o número foi menor, o mesmo não pode se dizer da qualidade de quem lá estava (veja o corpo de jurados, desconsiderando este que vos escreve). Egoísmos à parte, até sobrou mais vinho para nós quatro! Brincadeira.
Bem, amigos, vamos ao resultado
Na tabela
abaixo você encontra os distritos produtores, os nomes dos vinhos e as safras. Depois a faixa de preço, a média de pontos (máximo de 100) e a classificação dos vinhos. Adiante a classificação das lojas fornecedoras, com a pontuação dividida pelo número de garrafas enviadas. Item outra vez liderado pelo Club du Vin.
O vinho vencedor foi o Danie de Wet Pinotage Bio 2009, da vinícola Wetshof, 12 décimos acima do segundo lugar, o Simonsig Cabernet Sauvignon. Em terceiro, também poucos décimos abaixo, o Wolftrap, produzido pela vinícola Boekenhoutskloof (conseguiu pronunciar?). Este último, ao contrário dos dois primeiros - varietais das duas mais importantes castas tintas da África do Sul - é um corte de uvas oriundas do Rhône (França): Shiraz, Mourvèdre, Viognier e Cinsaut. Essa é uma nova faceta dos produtores daquele país.
Como já disse, até o sexto lugar a diferença de pontos foi bem pequena, expressando uma boa qualidade média dos vinhos testados.
Mas essas degustações sempre trazem surpresas. O vinho menos pontuado, um corte com predomínio da uva Merlot, é produzido sob orientação de um dos mais cultuados enólogos do mundo, o bordalês Michel Rolland. No mundo do vinho costumamos dizer que “vinho é medido garrafa a garrafa”. Terá havido algum problema específico com aquela que testamos? Qualquer dia desses vou tirar essa dúvida.
Nenhuma casta de uva predominou absoluta. O mesmo podendo se dizer dos distritos produtores.
Por fim, uma análise que sempre fazemos: a relação qualidade-preço. Como quase todos os vinhos estavam na faixa de R$ 41a R$ 80 e a pontuação foi próxima, não houve grandes diferenças. Porém, nesse item venceu também o Danie de Wet, seguido pelo Glen Carlou Cabernet Sauvignon  e pelo Simonsig  Pinotage.
Façam seus testes, leitores e vejam se concordam com nossos degustadores. Se possível, lá mesmo, no país das vuvuzelas. Sem elas, claro. Pois daí vai dar para ouvir seu tim, tim. Brinde à vida!





Murilo Guimarães - e-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.
 
Imprimir E-mail
Baco & Cia - 24/07/2010
  
Vinhos míticos: Pétrus - Que já foi Château Pétrus (ver rótulos ao lado). Mas como nunca teve de fato um castelo na sua propriedade, passou a ser só Pétrus. E basta. Há quem o chame de “rei dos vinhos”. Se realeza for definida por preço, ele é pelo menos um príncipe. Consorte! Visto que rei seria o Romanée-Conti, em média, mais caro. Embora nos leilões de safras especiais, o Pétrus sempre tenha altas performances. Recentemente uma garrafa da safra 1982 foi arrematada por 40.000 euros (R$ 92.000). Absurdo, não? Li um artigo analisando itens raros do mundo, equiparados por peso: a onça do Pétrus custa cerca de 75 vezes mais que o Urânio! Bom, extravagâncias à parte, bem que um vinho é bastante melhor que uma bomba atômica. Que, figurativamente, explodiu no colo de seis altos executivos do Barclay’s Bank, oito anos atrás. Demitidos após um jantar em restaurante londrino, quando, comemorando um bom negócio, gastaram R$ 91.000 em três garrafas de vinho. Lembram desta história? Eram três Pétrus, das célebres safras 1945, 1946 e 1947. Sendo esta uma das razões para a fama deste vinho: sua capacidade de envelhecer com qualidade.
E o que mais existe por trás deste mito, produzido em uma pequena vinícola de 11,5 hectares em Pomerol, subregião de Bordeaux? Não se pode creditar à sua história, mais recente que muitos dos seus vizinhos do mesmo alto nível. Só se consegue retroagir até o século XIX, quando estava sob direção da família Arnaud e não tinha expressão no mundo vinícola. Tanto que não foi incluído na histórica Classificação de 1855 - como ademais, nenhum vinho da hoje cultuadíssima Pomerol. No fim da segunda Guerra Mundial, passou para o controle de Madame Loubat, que deu início a um processo de melhoria qualitativa, em detrimento do volume de produção. Seu lema: menos, mas melhor. Em 1961, década em que o Pétrus começou galgando os degraus superiores da fama, dois sobrinhos herdaram a propriedade e um deles vendeu suas quotas a Jean-Pierre Moueix, famoso negociante de Bordeaux, há anos responsável pela comercialização do Pétrus. Seus filhos até hoje controlam a vinícola. Historinha sem muita graça, não? Mas faltou dizer que foi um dos vinhos servidos no casamento da Rainha Elizabeth II, em 1947. E que era o preferido da família Kennedy.
Os técnicos em vinicultura dirão que o solo puramente argiloso, ideal para cultivo de uvas, é o grande diferencial do Pétrus. Outros defenderão suas vinhas, que chegam até os 70 anos de idade, quando só então são replantadas. Há quem apontará a apurada colheita das uvas - a poda verde é usada sem economia - e a cuidadosa vinificação, que geram uma produção muito baixa (apenas 30.000 garrafas por safra), mas de alto nível. Seja lá qual for a explicação, a verdade é que este vinho, composto de 95% de Merlot e 5% de Cabernet Franc, é um dos grandes mitos da vinicultura mundial. Merecido? Sim. Mas como todo bem de consumo com custo exorbitante - comparado a seus pares - infelizmente restrito a uma parcela muito pequena dos amantes do vinho. Tim, tim. Brinde à vida!

Murilo Guimarães - e-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.
 
« Anterior 1  2  3  4  5  6 Próximo »
Página 1 de 6